terça-feira, 7 de agosto de 2018

Aids matou uma pessoa a cada três dias no Ceará, em 2018


A Aids continua matando. É o que revela a planilha com atualização semanal das Doenças de Notificação Compulsória, da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa). O Ceará já registrou 66 óbitos por Aids — o que significa uma morte a cada três dias, entre janeiro e julho de 2018.

Em 2017, de janeiro a novembro, 882 pessoas tiveram o diagnóstico de soro positivo. Dessas, 544 portadoras de Aids. Os óbitos causados pela patologia, no ano passado, foram 222. Já em 2018, os dados continuam alarmantes, tendo em vista toda a discussão realizada no País, desde o primeiro registro de Aids, há mais de três décadas. Neste ano, 560 pessoas foram diagnosticadas com o vírus HIV; desse total 352 manifestaram a doença. Fortaleza aparece em primeiro lugar no Estado. Entre as centenas de infectados, 292 moram na Capital. Em relação aos óbitos, dos 66 totalizados no Estado, 29 foram registrados na Capital.

De acordo com o infectologista e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Érico Arruda, dois motivos podem ser listados como predominantes para a grande taxa de óbitos por Aids. O primeiro é a não valorização dos sintomas que aparecem: quando o indivíduo descobre a doença, ela já está avançada. O segundo é o abandono da terapia. “Muitas pessoas abandonam o tratamento, mesmo recebendo a medicação. Eles veem melhora, tem a carga viral em queda para patamares indetectáveis, mas alguns, com o passar do tempo vão perdendo a disciplina. Isso faz com que a doença volte e pode ser até que venha mais agressiva”, afirma Érico.

O infectologista revela, ainda, que entre a exposição sexual com a pessoa infectada e o início dos sintomas, pode decorrer uma década. Por isso, o indicado é fazer o teste de HIV assim como outros exames regulares, pelo menos uma vez ao ano, para todos que têm ou já tiveram uma vida sexual ativa. 

O Brasil é um dos países que tem destaque por oferecer gratuitamente medicações retrovirais, conforme relatou o ex-presidente da SBI. Esses medicamentos estão disponíveis no SUS. Ao ser diagnosticada com Aids, a pessoa deve iniciar o tratamento em alguma unidade de saúde que tenha assistência para portadores da patologia. No Ceará, existem 30 Serviços de Atenção Especializada em HIV/AIDS. Essas unidades se concentram em maioria na capital, mas municípios como Crato, Quixadá e Sobral também contam com assistência. Os casos mais graves, contudo, precisam de internação, feitas exclusivamente no Hospital São José de Doenças Infecciosas (HSJ), localizado no bairro Amadeu Furtado, em Fortaleza.

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