domingo, 7 de junho de 2020

Violência contra a mulher. Em Juazeiro do Norte, alunas de escolas e universidade denunciam casos de abusos sexuais

Mulheres têm denunciado diversos casos de violência por meio da campanha #Exposed - Ponomariova_Maria/Getty Images/iStockphoto
Mulheres têm denunciado diversos casos de violência por meio da campanha #Exposed 
Camila Brandalise
De Universa

Desde o final de maio, jovens de todo país têm usado as redes sociais para denunciar violências sexuais e de gênero com a hashtag "exposed" seguida do nome da cidade em que vivem. Há relatos de estupro, assédio sexual (inclusive por parte de professores) e importunação sexual, entre outras denúncias de abusos aos quais elas foram submetidas.
"Exposed" é um termo usado no meio virtual para, justamente, expor um caso ou uma pessoa que cometeu um abuso mas que, até então, se mantinha em segredo. Vítimas de diferentes cidades brasileiras, entre elas São Paulo, Curitiba, Aracaju e Campo Grande, já postaram seus relatos.
Segundo especialistas ouvidas por Universa, uma ação conjunta como essa pode dar mais força para a mulher fazer uma denúncia formal — ou ainda, ao ver que outras pessoas passaram pelo mesmo e receber mensagens de apoio, a atitude pode ajudar a vítima a começar a trilhar o caminho para superar o trauma.
Elas ressaltam, porém, que dependendo da maneira como o relato for feito pode haver margem para abertura de um processo nas esferas civil ou criminal contra a pessoa que relatou — mesmo que ela tenha provas do crime que sofreu. "É importante que a denúncia nas redes sociais seja feita de acordo com ditames legais para que a situação não se inverta e a vítima não vá para o banco dos réus", explica Andressa Cardoso, advogada criminalista, pós-graduada em direito público e violência doméstica e especialista em direito das mulheres.
A seguir, veja orientações das advogadas consultadas por Universa para fazer um relato nas redes sociais e se proteger legalmente:

1. Evite informações que possam identificar o agressor

Evite publicar nomes, dados pessoais do agressor ou informações que possam identificá-lo.
"Essa é a primeira orientação para proteger a sobrevivente de violência. Se postar com nome, muito provavelmente vai sofrer processo tanto criminal quanto cível, que são meios usados para silenciá-la", explica Mailô Andrade, advogada do Instituto Maria da Penha e doutoranda em direito penal pela UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro). "Escreva da maneira mais genérica possível."
Após a repercussão dos "exposed", Mailô criou um guia para orientar as vítimas na divulgação de casos de relacionamento abusivo com o intuito de protegê-las. "A postagem envolve uma série de riscos, mas, ao tirar o nome, você já consegue reduzi-los", salienta.
Segundo a advogada, existem dois crimes "contra a honra" que podem ser investigados a partir de uma postagem em que há identificação do agressor. "De calúnia, quando imputa o falso cometimento de crime [só é considerado verdadeiro se a o denunciado já tiver sido considerado culpado pela Justiça], e de difamação, quando há atribuição de um fato desonroso", explica. Também pode haver um processo civil exigindo indenização por dano moral.

2. Foque o relato em você e no seu sofrimento

Ao escrever sobre o que aconteceu, foque a o relato em você: conte o que fizeram contigo, o que você sentiu e como a violência sofrida a traumatizou (por exemplo, se teve crises de ansiedade ou depressão).
Dessa maneira, você terá mais argumentos para se proteger de uma acusação de calúnia e difamação. "Para um ato ser caracterizado como crime, precisa ser provada uma vontade específica. Se o seu relato estiver calcado em narrar uma violência, e não em difamar alguém, não haverá crime", explica Mailô.

3. Em caso de assédio na escola, você pode citar o nome da instituição

Andressa conta que recebeu pedidos de orientações de alunas do Ceará, que denunciaram, nas redes sociais, um professor de uma instituição de ensino do Ceará.
Ela conta que vê outras jovens se mobilizando da mesma maneira, com colegas do lugar em que estudam. E dá orientações específicas nesses casos. "Você pode falar em qual instituição ocorreu e o que aconteceu, mas tente não dar detalhes suficientes que possam levar a um professor específico. Por exemplo, não citando a disciplina."
No caso dessas alunas, Andressa conta que a maioria dos relatos é de assédio sexual. "O professor condicionava aumento de nota a um benefício dado pelas alunas", explica.

4. Se for ameaçada, procure a Lei Maria da Penha

Ainda que não haja processo na Justiça contra a vítima, pode acontecer de ela ser pressionada e ameaçada pelo agressor a tirar a postagem do ar. Ameaças que, inclusive, consideram cometer uma nova agressão.
Nesses casos, explica Mailô, em se tratando de um ex-namorado ou ex-marido, a vítima pode tirar prints das mensagens ameaçadoras ou gravar conversas, fazer um registro de ocorrência e pedir uma medida protetiva contra ele, ação prevista na Lei Maria da Penha.
"Essa medida protetiva inclui não se aproximar e não entrar em contato, por nenhum meio, e prevê resguardar a integridade física e psicológica da mulher", explica. "E, se a pessoa descumprir, vai presa, justamente para coagir o denunciado a não procurá-la."

5. Um registro de ocorrência também é uma maneira de se proteger

Mailô orienta que, se possível, a mulher faça um boletim de ocorrência antes de uma postagem nas redes sociais. "Muito embora o valor legal do documento seja apenas de registro, e não de prova, você já está dizendo para a polícia que quer que seja feita uma investigação formal no caso", explica.
Além disso, ela aconselha as mulheres a se informarem antes de fazer uma postagem: procurar orientações de advogadas e de coletivos nas redes sociais podem ajudar. E é de graça. "Inclusive, tenho recebido várias consultas nesse sentido no meu Instagram."

6. Não retire o post do ar, a menos que exista uma ordem judicial

Mesmo que seja coagida a retirar a postagem, você não precisa retirá-la a menos que exista uma ordem judicial exigindo isso.
"Em tese, não há uma proibição legal que impeça alguém de postar um relato que enfatize uma violência que sofreu. Não é proibido, mas tem que fazer dentro dos limites que não infrinjam a lei", diz Mailô. "Por isso, retirar o post é só em último caso, com a ordem judicial, que só é conseguida por meio de um processo."

7. Não deixe de postar sua história se sentir que isso pode ajudá-la

A advogada Andressa Cardoso salienta que as orientações não devem ser vistas como uma maneira de coagir a vítima a não publicar um relato. Pelo contrário, a ideia é protegê-la para que não seja revitimizada. Ela ainda vê vários pontos positivos nas postagens coletivas.
"Esse movimento de denúncia nas redes sociais é muito importante. Alguns profissionais do direito falam para vítima não se expor, mas não concordo. Percebo que isso cria uma mobilização, elas encontram uma rede de apoio que ajuda no enfrentamento à violência. O rompimento do silêncio em si é importante porque é uma dor forte e intensa que elas vivem", diz.
Também acredita que podem surtir resultados práticos. "Algumas denúncias que vão para a mídia recebem um andamento mais rápido nas delegacias porque há pressão popular, as pessoas começam a falar sobre. Além disso, há relatos que podem gerar uma ação penal pública incondicionada por parte do Ministério Público, ou seja, casos que não dependem da denúncia formal da vítima para que seja aberta uma investigação", explica Andressa.

A despeito sobre abusos e assédios, MP do ceará recebeu várias denúncias de abusos sexuais cometidos em escolas e universidade de Juazeiro do Norte
MPCE apura denúncias de abuso sexual cometidas em escolas e universidade do Cariri 

Após uma série de relatos de vítimas que afirmam ter sofrido abuso sexual no Cariri, o Ministério Público Estadual instaurou procedimento extrajudicial para apurar os fatos. O MPCE informou ter requisitado a instauração de um inquérito policial na Delegacia de Defesa da Mulher de Juazeiro do Norte para investigar os casos.
Alunas de escolas e universidade dos municípios de Juazeiro do Norte e Crato publicaram relatos acerca dos crimes. As denúncias ganharam força nas redes sociais com uso da hashtag #ExposedCariri. Os principais suspeitos são professores e funcionários dos estabelecimentos de ensino.
O MPCE observou os relatos e disse ter percebido crimes como importunação sexual, assédio sexual e estupro de vulnerável. As práticas vinham acontecendo em, pelo menos, cinco escolas e uma universidade. Há queixas de assédios ocorridos em estabelecimentos particulares e públicos.
Denúncia
O promotor de Justiça Leonardo Marinho destaca a importância das vítimas procurarem as autoridades: “Essa medida é necessária para que possamos analisar os relatos, analisar os fatos e analisar as provas que porventura possam existir. Somente com a contribuição da vítima podemos dar ensejo a um processo legal para tentar responsabilizar todos os criminosos”, disse.
A Comissão da Mulher Advogada da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Ceará (OAB-CE) emitiu nota pública manifestando repúdio aos abusos sexuais sofridos pelas vítimas que expuseram os crimes na #ExposedCariri.
“As denúncias devem ser oficializadas para que os criminosos saiam dessa zona de conforto achando que podem continuar estuprando e cometendo quaisquer outros crimes de natureza sexual, permanecendo impunes”, conforme trecho da nota.

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Se vidas importam, morte de Miguel, 5 anos, não pode ficar por isso mesmo

A história da primeira-dama que preferiu cuidar das unhas a cuidar do filho da empregada  

Por Ricardo Noblat

E se tivesse ocorrido o contrário? E se fosse Mirtes Renata de Souza, empregada doméstica, moradora de um bairro pobre do Recife, quem tivesse ficado no apartamento a cuidar do filho de 5 anos da patroa que saíra para passear com o cachorro da família?
E se diante da reação do menino que queria ir ao encontro da mãe e correra para o elevador, Mirtes, primeiro, tentasse retirá-lo dali. Desistisse de fazê-lo depois da segunda tentativa. Então apertasse o botão de um andar superior e voltasse ao apartamento.
A porta se fecha. O elevador sobe do quinto para o nono andar. Sozinho, o menino desembarca em uma área de serviço do prédio onde há uma sacada. Debruça-se na sacada na tentativa de avistar a mãe. Então despenca de uma altura de 35 metros e morre.
Foi Mirtes quem saiu para passear com o cachorro da família de Sérgio Hacker Corte Real (PSB), prefeito do município de Tamandaré. Sari, a primeira-dama, ficou no apartamento a fazer as unhas com uma manicure e a cuidar de Miguel, filho de Mirtes.

Antes da pandemia, Miguel passava o dia na escola e as tardes na creche. A prefeitura de Tamandaré paga um salário mínimo para que Mirtes dê conta dos afazeres domésticos dos Corte Real. Com a pandemia, Miguel começou a acompanhar a mãe no trabalho.
Mirtes com a palavra:
“Eu não consigo mais entrar no quarto [onde Miguel dormia] Eu vejo a cama do meu filho, mas não vejo meu filho. Eu olho para aquela bicicleta, mas não vejo meu filho na bicicleta. Eu olho para todos os cantos da casa e não vejo meu filho. Tá muito difícil”.
Ao retornar do passeio com o cachorro, Mirtes foi avisada pelo zelador do prédio que alguém havia caído lá do alto.

“Quando eu abri a porta, eu vi meu filho ali, estirado no chão. ‘Meu filho, não deixa mãe, filho’. Aí eu peguei, devagarzinho, virei ele. Eu disse ‘meu amor, meu amor, mamãe tá aqui, não deixa mamãe, respira’. Toquei [no pescoço dele]. Ele ainda respirava”.
Mirtes gritou pedindo a ajuda da patroa, que desceu junto com um médico, morador do prédio, e levou Miguel para o Hospital da Restauração, onde ele já chegou morto.
“Não demorou muito e veio a notícia que meu filho virou estrelinha, que tá lá junto com Jesus e Maria. Ele tá lá no colinho de Maria. Eu pedi para Jesus tirar a minha vida e dar a ele para ele permanecer vivo porque ele era minha razão de viver”
Mirtes acredita que “faltou paciência” à patroa, a quem precisou entregar Miguel enquanto passeava com o cachorro.

“No período que eu estava andando com a cadela, que [Miguel] entrou no elevador, não tiveram paciência de tirar ele de lá, pegar pelo braço e ‘saia’. Porque se fossem os filhos da minha patroa, eu tiraria. Ela confiava os filhos dela a mim.”

O que o futuro reserva a Mirtes?
“Eu vou lutar, eu vou batalhar nem que eu vá morar debaixo da ponte, mas eu vou batalhar para que a morte do meu filho, meu único filho seja resolvida, que a justiça seja feita”.
Sari, a patroa de Mirtes, foi presa em flagrante, levada para delegacia onde depôs e liberada no mesmo dia depois de pagar a fiança de R$ 20 mil. O delegado Ramón Teixeira não nega que a responsabilidade legal pela criança naquele momento era dela.

Mas entende que isso não é suficiente para classificar o que aconteceu como um homicídio com dolo eventual. O governador de Paulo Câmara informou que tudo será apurado com rigor. O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) explicou em nota:
– A autoridade policial pode conceder fiança nos casos de infração cuja pena privativa de liberdade máxima não seja superior a 4 anos, segundo o Art. 322 do Código de Processo Penal. No caso de acusação por homicídio culposo a pena, segundo o Art. 121 do Código Penal Brasileiro, é de 1 a 3 anos de detenção. Após concluído, o inquérito policial será remetido para o Ministério Público, que pode oferecer denúncia ou pedir o arquivamento. Se for oferecida a denúncia do acusado, o juiz no âmbito do Tribunal analisa o recebimento.
O corpo de Miguel foi enterrado ontem. Em 24 horas, uma petição que cobra justiça pela morte dele já foi assinada por 407 mil pessoas no Recife, um quarto da população.

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Presidente do BNB indicado pelo Centrão é demitido 24 h após tomar posse. Motivo, suspeito de corrupção


Nome do Centrão para Banco do Nordeste é alvo de investigação ...
O presidente do Banco do Nordeste, Alexandre Borges Cabral, mal assumiu o órgão ontem (2) e foi exonerado do cargo um dia após ter tomado posse. Ele é alvo de uma apuração conduzida pelo Tribunal de Contas da União (TCU) que investiga suspeitas de irregularidades em contratações feitas pela Casa da Moeda durante o período em que esteve à frente da estatal, em 2018. O prejuízo é estimado em R$ 2,2 bilhões. 

O Banco do Nordeste informou a saída de Cabral por meio de nota nesta quarta-feira (3/06). Em seu lugar, assumirá interinamente Antônio Jorge Pontes Guimarães Júnior atual Diretor Financeiro e de Crédito, até que seja eleito um novo presidente definitivo. 

A instituição financeira reiterou o compromisso de transparência. "O Banco informa ainda que sobre as notícias recentemente veiculadas tomou conhecimento sobre seu conteúdo somente por meio da mídia. Assim sendo, reitera seu compromisso de transparência e tempestividade de comunicação dos fatos aos seus acionistas”, concluiu.

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Arrecadação dos serviços municipais cai 21% na pandemia



Pesquisa da Assemae revela os impactos para o setor de saneamento.
Os serviços municipais de saneamento básico estão sendo atingidos economicamente pela pandemia de COVID-19. A informação é resultado da pesquisa divulgada pela Assemae nesta quarta-feira, 03/06, que confirma uma queda de, em média, 21% na arrecadação dos serviços municipais no mês de abril de 2020, quando comparado ao mês de abril de 2019. Caso o percentual de queda se mantenha pelos próximos seis meses, o déficit do setor poderá ultrapassar R$ 2 bilhões, o que poderá levar os serviços municipais ao colapso.
O levantamento da Assemae junto aos serviços municipais de saneamento também mostra o aumento médio de 11% no consumo de água no mesmo período, reflexo da maior permanência dos cidadãos em casa, e o reforço das medidas de higiene no combate ao coronavírus. Porém, o crescimento do consumo de água é um alerta, pois, neste momento, pelo menos 18% dos municípios que integraram a pesquisa estão localizados em regiões que enfrentam problemas de estiagem, sobretudo no Sul do Brasil, o que pode comprometer a segurança hídrica da população.
Segundo o presidente da Assemae, Aparecido Hojaij, os números ressaltam a necessidade de estabelecer um programa nacional de apoio financeiro aos serviços municipais de saneamento, evitando o desabastecimento da população. “Sem receita não tem como manter a operação dos sistemas de saneamento. Por isso, temos levado esta realidade para o Governo Federal na tentativa de socorrer os municípios com ações emergenciais”, destaca.
Recorte regional
A pesquisa da Assemae também traz informações regionais sobre os impactos da pandemia de COVID-19. Conforme revela o levantamento, a região Nordeste é a que tem o maior índice de queda na arrecadação, alcançando a média de 31%. Em seguida aparece o eixo Norte/Centro-Oeste com 30% de perdas nas receitas e depois vem a região Sul com 20%. Já no Sudeste o índice de queda fica em 14%.
Em relação ao aumento no consumo de água, o Nordeste novamente aparece em primeiro lugar, com a média de 14%. Logo após vem o Norte/Centro-Oeste (12%), seguido pelo Sudeste (10,4%) e pelo Sul (10,3%).
A pesquisa foi realizada por telefone, no período de 18 a 22 de maio, com 122 serviços municipais de saneamento das cinco regiões do Brasil. Os dados coletados serão utilizados pela Assemae para subsidiar as propostas que pretendem apoiar os municípios associados.
Ações da Assemae
Para apoiar os serviços municipais no enfrentamento dos impactos da pandemia, a Assemae reforçou sua articulação nos órgãos governamentais, com a proposição de iniciativas que pretendem mitigar os efeitos das perdas financeiras decorrentes do crescimento da inadimplência nesse momento de crise econômica e social.
A entidade tem buscado mostrar ao Governo Federal a realidade dos prestadores municipais, apontando a necessidade de estabelecer uma pauta nacional de apoio aos serviços municipais de saneamento, incluindo o repasse de recursos não onerosos, entre outras.
Imagem: Internet

Reprovação a Congresso e Supremo despenca na pandemia, diz Datafolha


A reprovação à atuação do Congresso e do STF (Supremo Tribunal Federal) despencou em meio à crise política do governo Jair Bolsonaro, de acordo com pesquisa do Datafolha.
Em levantamento feito entre a segunda (25) e a terça-feira (26), o instituto detectou forte queda na taxa de avaliação ruim/péssima sobre os trabalhos do Legislativo e do Judiciário em relação à pesquisa anterior com esse questionamento, feita em dezembro passado.
O Congresso e o STF vêm sendo desde março alvos de protestos de militantes bolsonaristas, e o próprio presidente compareceu a alguns desses atos.
Ativistas mais radicalizados defendem inclusive o fechamento do tribunal e do Legislativo – prerrogativa que o presidente da República, no entanto, não possui.
Segundo a pesquisa do Datafolha, 32% consideram o desempenho dos senadores e deputados federais ruim ou péssimo, ante 45% seis meses atrás. Hoje, 18% acham o trabalho deles ótimo ou bom – eram 14% no levantamento anterior. A avaliação como regular está em 47%.
Já em relação ao Judiciário, 30% entendem que o STF tem feito um trabalho ótimo ou bom – eram 19% em dezembro. A taxa de avaliação ruim ou péssima caiu de 39% para 26% agora. Outros 40% consideram hoje regular o desempenho dos ministros.
A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Foram ouvidas 2.069 pessoas de todo o país.
Por causa da pandemia do novo coronavírus, as entrevistas foram feitas por telefone, método que exige questionários rápidos, sem a utilização de
Fonte: Folhapress

terça-feira, 2 de junho de 2020

ELEIÇÕES: PRAZOS PARA DESINCOMPATIBILIZAR SEGUEM MANTIDOS

Ainda sem sofrer alterações por conta do coronavírus (Covid-19), o calendário eleitoral continua sendo cumprido pelos pré-candidatos em meio a incertezas sobre as eleições municipais deste ano.

Importantes datas foram cumpridas. A data de 4 de junho (quinta-feira) quatro meses antes das eleições - quando uma série de pré-candidatos que atualmente trabalha em cargos públicos terá de se desincompatibilizar de suas atividades para concorrer no pleito programado para outubro. Dentre estes cargos destacam-se os de secretários municipais, que desejam concorrer a prefeito e vice-prefeito, e os de delegados.
A desincompatibilização é um conceito do Direito Eleitoral que consiste no ato pelo qual o candidato é obrigado a se afastar de certas funções, cargos ou empregos, na administração pública, direta ou indireta, para poder estar apto a disputar as eleições. Alguns cargos pretendidos, no entanto, não precisam da desincompatibilização, como a reeleição para vereadores e prefeitos, por exemplo.
Líderes costuram acordo para adiar eleições municipais para 6 de ...
Relação cargo e período de desincompatibilização

Cargo ocupado Cargo pretendido Prazo de desincompatibilização
Prefeito Reeleição Não há necessidade

Vereadores Reeleição/ Prefeito/ Vice-prefeito Não há necessidade

Autoridade Policial, Civil e Militar Prefeito/ Vice-prefeito 4 meses antes das eleições Vereador 6 meses antes das eleições

Defensor Público Prefeito/ Vice-prefeito 4 meses antes das eleições
Vereador 6 meses antes das eleições

Diretor de banco estadual Prefeito/ Vice-prefeito 4 meses antes das eleições
Vereador - 6 meses antes das eleições

Presidente da OAB Prefeito/ Vice-prefeito 4 meses antes das eleições
Vereador 6 meses antes das eleições

Secretário municipal Prefeito/ Vice-prefeito 4 meses antes das eleições
Vereador 6 meses antes das eleições

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Veja os horários de funcionamento das atividades econômicas liberadas a partir desta segunda no CE

Haverá uma fase de transição, seguida por outras quatro, cada uma com 14 dias, com a divisão das atividades liberadas para retomarem por grupos

O retorno das atividades econômicas no Ceará inicia nesta segunda-feira (1º), de acordo o plano anunciado pelo governador Camilo Santana na última quinta-feira (28). A partir do dia 1º de junho até o dia 7, haverá uma fase de transição, seguida por outras quatro, cada uma com 14 dias, com a divisão das atividades liberadas para retomarem por grupos. Já na primeira fase, setores do comércio já poderão funcionar. O Ceará vive em isolamento social desde 20 de março, por decretos renovados pelo governador Camilo Santana, como forma de combater a disseminação do novo coronavírus.

Veja abaixo os horários de escalonamento para as atividades liberadas
Comércios
  • 10h às 16h
Construção Civil e Indústria de Transformação
  • 7h às 17h
Serviços (executando atividades vinculadas a outras cadeias)
  • 8h às 20h, ajustando as jornadas às características dos diversos segmentos
Administração Pública
  • 9h às 18h
Outros setores de atividade
  • Serviços essenciais em funcionamento atualmente continuam com horário regular
  • Instituições de Ensino ainda com atividades suspensas
  • Admite-se que o horário de 8h concentrará uma gama de serviços que não são impactados pelas regras acima (os essenciais, serviços domésticos, etc.)
  • Metrofor:adotará medidas sanitárias como por exemplo, higienização e passageiros em pé deverão manter pelo menos 2 metros de distância de outras pessoas.
*Em função da demanda pelas atividades econômicas, os setores poderão ajustar os horários de saída de forma mais adequada

Camilo detalhou que dois critérios principais foram utilizados para definir os setores que devem retornar primeiro e quais irão ficar para as últimas etapas. Segundo ele, o risco sanitário e a importância socioeconômica foram os fatores determinantes.
"Do dia 1º ao dia 7, serão liberadas algumas atividades, mas tem critérios a serem seguidos. Há uma tendência de estabilização dos casos, principalmente em Fortaleza, mas quero deixar claro que os próximos 7 dias serão avaliado. A Saúde vai avaliar e determinar se é possível prosseguir com as próximas fases ou não", ressaltou o governador.
O chefe do Executivo estadual ainda apelou a empresas e população que sigam as orientações governamentais em cada etapa. "O resultado desse plano depende do compromisso das empresas com seus funcionários e do comportamento da população. Teremos horários de funcionamento diferentes, protocolos a serem seguidos, como a medição da temperatura dos empregados, testagem de amostra dos funcionários, muito critério e rigor para que a gente não precise retroceder", afirmou.
O secretário da Saúde do Estado, Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, Dr. Cabeto, reforçou o pedido.
"Isso não é uma abertura, é uma fase de transição. É preciso responsabilidade, pois vidas estão em jogo. Para que não haja retrocesso, é preciso obediência a toda regra de isolamento social", pontou.
Nesta etapa inicial, que irá durar sete dias, 17 segmentos estão autorizados a retomar parcialmente suas operações. Os percentuais de liberação variam de 0,60%, no caso do setor de tecnologia da informação, a 100% para a cadeia da saúde.
Quase 67 mil empregos poderão retomar suas atividades em todo o Estado, cerca de 11,5% do total. Na Capital, serão 44,8 mil trabalhadores, representando 67% do efetivo de Fortaleza, enquanto no Interior esse número é de 22,1 mil ou 33%.
Camilo ressaltou que, no comércio, apenas o setor ligado a saúde e material de construção poderão reabrir.
Confira a lista de atividades e os percentuais de liberação desta fase de transição:
- Indústria química e correlatos (30%)
Indústria de químicos inorgânicos, plástico, borracha, solventes, celulose e papel
- Artigos de couros e calçados (17,9%)
Fabricação de calçados e produtos de couro
- Indústria metamecânica e afins (28,7%)
Fabricação de ferramentas, máquinas, tubos de aço, usinagem, tornearia e solda
- Saneamento e reciclagem (30%)
Recuperação de materiais
- Energia (20%)
Construção para barragens e estações de energia elétrica, geradores
- Cadeia da construção civil (31%)
Construção de edifícios até 100 operários obra, cadeia produtiva com 30%
- Têxteis e roupas (12,4%)
Indústria têxtil, confecções e de redes
- Comunicação, publicidade e editoração (10,2%)
Impressão de livros, material publicitário, e serviços de acabamento gráfico
- Indústria e serviços de apoio (0,8%)
Indústria de artigos de escritório e manutenção industrial. Cabeleireiros, manicures e barbearias
- Artigos do lar (16,9%)
Fabricação de eletrodomésticos e artigos domésticos
- Agropecuária (12,4%)
Obras de irrigação
- Móveis e madeira (7,9%)
Fabricação de móveis e produtos de madeira
- Tecnologia da informação (0,6%)
Fabricação de equipamentos de informática
- Logística e transporte (10,8%)
Metrofor, transporte rodoviário metropolitano na RMF e manutenção de bicicletas
- Automotiva (1,9%)
Indústria de veículos, de transporte e peças
- Cadeia da saúde (100%)
Comércio médico e ortopédico, óticas, podologia e terapia ocupacional
- Esporte, cultura e lazer (8,1%)
Treinos de atletas de esportes individuais, além dos clubes de futebol participantes da final do Campeonato Cearense
Hoje com funcionamento limitado a serviços essenciais como supermercados, farmácias e restaurantes com delivery, as operações de comércio em shoppings e na rua voltam a funcionar a partir do dia 8 de junho, após fase de transição do plano de retomada das atividades econômicas do Ceará. O retorno se dará com 40% da mão de obra, nos 14 dias previstos para durar essa fase, além de horários reduzidos.

Cadastro biométrico passa a ser obrigatório para concessão de benefícios do INSS

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) informou que vai ampliar a exigência de cadastro biométrico para a concessão de benefícios prev...