quinta-feira, 11 de julho de 2019

Ciro Gomes: por que considero o voto a favor dessa reforma da previdência um voto contra os pobres

Em uma série de mensagens pelo Twitter, Ciro enumerou cinco argumentos pelos quais considera que o voto a favor da reforma de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes afetará principalmente os mais pobres e a classe média.

Foto: Reprodução/TV Cultura

O ex-candidato presidencial e principal líder político do PDT (Partido Democrático Trabalhista), Ciro Gomes, publicou nesta terça-feira (9) uma série de tweets contra o projeto de reforma de Previdência que está sendo votado nesta mesma noite, na Câmara dos Deputados.

Em suas mensagens, Ciro enumerou cinco argumentos pelos quais considera que o voto a favor da reforma de Jair Bolsonaro, desenhada pelo ministro Paulo Guedes, afetará principalmente os mais pobres e a classe média.
Abaixo, reproduzimos a íntegra das mensagens, que foi dividida em cinco tweets:
“Porque considero o voto a favor desta reforma Bolsonaro um voto contra os pobres e contra a classe média em resumo:
1. De cada 100 reais de sacrifício , 83 reais são cobrados de quem ganha até 2 mil reais;
2. A aposentadoria passa a ser calculada sobre todos os salários que o trabalhador teve ao longo da vida e não mais sobre os 80% maiores – a perda para os aposentados será de 13%;
3.A combinação de idade mínima com tempo de contribuição de 40 anos na prática levará os pobres a NÃO TER MAIS APOSENTADORIA: em 40 anos o trabalhador fica ao menos 8 anos sem carteira assinada (IBGE) assim, para ter a aposentadoria integral teria que trabalhar até os 73 anos pelo menos (soma da idade mínima com mais 8 anos de contribuição adicionais);
4. Em nenhum lugar do mundo civilizado um professor ou um policial trabalham 40 anos para se aposentar;
5. Os militares custam 47 bilhões de reais por ano e contribuem com 3 bilhões de reais, 99% dos militares se aposentam com 55 anos”.

Porque considero o voto a favor desta reforma Bolsonaro um voto contra os pobres e contra a classe média em resumo:

1. De cada 100 reais de sacrifício , 83 reais são cobrados de quem ganha até 2 mil reais ;


quarta-feira, 10 de julho de 2019

Deputado novarussense Junior Mano acompanha seu partido e seu guru político Roberto Pessoa. Votou a favor da reforma da previdência


Câmara aprova texto-base da reforma da Previdência; veja como votou a bancada cearense
Proposta teve 379 votos a favor e 131 contra; deputados do CE: 11 a favor e 11 contra
Depois de oito horas de debates, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou, em primeiro turno, o texto principal da reforma da Previdência. A proposta teve 379 votos a favor e 131 votos contra.
Agora, os parlamentares começam a votar os destaques apresentados pelas bancadas. Mais cedo, os deputados tinham concordado em derrubar as emendas individuais e manter apenas as de bancada.
Os destaques mais aguardados são o que aumenta a aposentadoria para as trabalhadoras da iniciativa privada e o que suaviza as regras de aposentadorias para policiais e agentes de segurança que servem à União.
A reforma da Previdência precisava de 308 votos, o equivalente a três quintos dos deputados, para ser aprovada. Se aprovado em segundo turno, o texto segue para análise do Senado, onde também deve ser apreciado em dois turnos e depende da aprovação de, pelo menos, 49 senadores.
O debate do texto principal foi aberto por volta das 17h, quando a Câmara rejeitou o último requerimento de retirada de pauta da reforma da Previdência. Nas últimas horas, os líderes dos partidos estavam encaminhando as orientações para as bancadas.

Como votou a bancada cearense. Deu empate no placar 11x11
Confira no painel eletrônico







 

Jornalismo está de luto. Morre Paulo Henrique Amorim

Amorim sofreu infarto e morreu aos 77 anos de idade

Jornalista sofreu infarto fulminante na madrugada desta quarta-feira, depois de sair para jantar com amigos na noite de terça-feira


Amorim sofreu infarto e morreu aos 77 anos de idade


O jornalista Paulo Henrique Amorim morreu, na madrugada desta quarta-feira (10), aos 77 anos. O jornalista deixou o legado para a comunicação brasileira.
Amorim estava em casa, no Rio de Janeiro, quando sofreu um infarto fulminante — informação confirmada pela mulher dele.
Na noite da terça-feira (9), o jornalista havia saído para jantar com amigos.
Paulo Henrique Amorim estava na Record TV desde 2003. Antes, passou por diversos jornais, revistas e emissoras de televisão do país.
Nascido em 22 de fevereiro de 1942, Paulo Henrique estreou no jornal A Noite, em 1961. Depois foi trabalhar em Nova York, como correspondente internacional da revista Realidade e, posteriormente, da revista Veja.
Na televisão, passou pela extinta TV Manchete e pela TV Globo, também como correspondente internacional em Nova York.
Em 1996, deixou a TV Globo e foi para a TV Bandeirantes, onde apresentou o Jornal da Band e o programa Fogo Cruzado. Depois, foi para a TV Cultura.
Em 2003, foi contratado pela Record TV, onde apresentou o Jornal da Record segunda edição. No ano seguinte, ajudou a criar a revista eletrônica Tudo a Ver na emissora. Em 2006, assumiu a apresentação do Domingo Espetacular, onde ficou até junho deste ano.
Amorim deixa uma filha e a mulher, a jornalista Geórgia Pinheiro. O jornalista também tinha um site denominado "Conversa Afiada" cujo conteúdo, com duras críticas ao governo de Bolsonaro. Paulo Henrique defendia os governos petistas aos quais prestou serviços e se identificava ideologicamente.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Maus perdedores: falta a dignidade na derrota aos petistas - Artigo do excelente jornalista Rodrigo Constantino no fim do ano passado

REUTERS/Paulo Whitaker
“Quem se vinga depois da vitória é indigno de vencer”, constatou Voltaire. E ele estava certo. A vitória exige certa dignidade, deixar diferenças pontuais de lado para focar no que realmente precisa ser feito pelo bem da maioria. Se o PT tivesse vencido as eleições, temos uma boa ideia do que aconteceria. A turma viria com sede de sangue, de vingança, pois acha que Lula é um “preso político”, apesar de tudo.
A falta de dignidade que o PT mostraria na vitória também foi exposta na derrota. Saber perder também é preciso, parte do jogo democrático. Petista não sabe perder. Não com dignidade. Tratam toda derrota como um erro, seja do eleitor, seja do “sistema”. Bancam as vítimas, ignoram o alerta das urnas, sentem-se ainda assim os bastiões da democracia.
Vejam, por exemplo, a fala em tom de ameaça de Guilherme Boulos, sujeito que estaria preso em qualquer país sério do mundo:
Não admitir a derrota legítima, até para fazer uma reflexão sobre os próprios erros, é típico de mau perdedor. Fernando Haddad, o candidato derrotado, fez um discurso lamentável, em que sequer parabenizou Jair Bolsonaro por sua expressiva votação. Quase 60 milhões de brasileiros endossaram a guinada à direita que o candidato do PSL representa. O PT prefere fingir que isso não aconteceu, jogar para a sua plateia, agitar as massas alienadas.
Sobre o discurso de Haddad, fiz um comentário em minha página do Facebook que teve enorme repercussão, e que reproduzo aqui:
Mas não devemos nos iludir: o PT é deselegante na derrota, não tem senso de comunidade tampouco qualquer resquício patriota, mas não vai simplesmente aceitar essa perda de forma passiva. E não é pouca gente que optou por essa turma. Alexandre Borges resumiu bem: “47 milhões de brasileiros votaram no poste de um presidiário. Ainda há muito trabalho pela frente”. E Borges fez também uma brilhante análise, há quatro anos, da capacidade da esquerda de reagir após derrotas, de pensar lá na frente na próxima jogada pelo poder. Eis um trecho:
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No dia seguinte à reeleição de Bush, seu inimigo mais verborrágico, Michael Moore, o cineasta e ativista de extrema-esquerda que desde a adolescência recebe dinheiro de Cuba para fazer propaganda comunista nos EUA (veja o ótimo documentário “Manufacturing Dissent: Uncovering Michael Moore”), publicava o texto “17 razões para não cortar os pulsos”, que você pode ler aqui: http://bit.ly/1wB1qmE
A ocupação do Iraque não tinha dois anos e ainda havia um sentimento nacional de união contra o terror. O que a esquerda americana fez? Apostou na guerra cultural, em minar a autoridade moral do país, assim como havia feito na época da Guerra do Vietnã. Se o país está unido em torno da guerra, é preciso fabricar a idéia de que a guerra foi uma mentira (“Bush lied, people died”) e que seu líder representava o que havia de pior na alma humana. Deu certo.
Em 72, a Guerra do Vietnã estava, para todos os efeitos, vencida. Richard Nixon foi reeleito numa goleada histórica, com 18 milhões de votos a mais que seu oponente, o ultra-esquerdista George McGovern, a maior vantagem eleitoral na história americana. Nixon venceu em 49 dos 50 estados (fora a capital) e conquistou 96,65% dos votos do colégio eleitoral. A imagem do mapa eleitoral é impressionante, como se a oposição tivesse sido varrida do país: http://bit.ly/1tYwixe
O que a esquerda fez? Conseguiu um impeachment de Richard Nixon dois anos depois, em 1974, três meses antes da eleição legislativa. No clima da comoção nacional pelo impeachment, teve uma vitória avassaladora nas urnas e virou o Congresso para a oposição. Em janeiro de 1975, assim que tomaram posse, os novos congressistas partiram para desfazer todo o legado de Nixon e ainda entregaram o Vietnã do Sul para os comunistas do Norte, o que acabou em algumas milhões de mortes, um preço que a esquerda costuma pagar sem maiores constrangimentos em nome da sua agenda.
Não custa lembrar que a reação de Fidel Castro ao ver a queda do Muro de Berlim foi fundar o Foro de São Paulo com Lula. Nada de chororô, nada de dar cabeçadas na parede e em 12 anos Lula foi eleito presidente no Brasil, que vai para o quarto mandato consecutivo.
Lembre disso: o outro lado já perdeu e feio. O que eles fazem quando perdem? Juntam os cacos, sacodem a poeira e voltam pra briga. O que fazem quando ganham? Dão um jeito de usar o estado para continuar no poder. Eles sabem que política é uma guerra e quando apenas um dos lados está guerrando o resultado final será sempre o mesmo.
Foi uma vitória com margem apertada, metade do Brasil não quer mais o PT. Essa metade precisa de líderes e de veículos de comunicação que gerem conteúdo para eles. Quem se habilita?
Ou seja, os petistas podem ser péssimos perdedores no sentido do “fair play”, da dignidade, mas isso não quer dizer que não sejam perdedores perigosos. Boa parte da narrativa petista foi enterrada pelas urnas nas últimas eleições, mas o petismo ainda vive. E estará não só atento como agindo para impedir o sucesso do Brasil, do governo Bolsonaro, pois seu único intuito é o poder, não melhorar o país.
Bolsonaro não deve “se vingar” do PT, e sim focar na reconstrução da nação, destroçada pelo petismo. Senso de Justiça, de união, de trabalho em prol do povo brasileiro: é disso que precisamos. E claro: da limpeza dos apaniguados petistas da máquina estatal, para que isso possa acontecer sem tanta sabotagem. Mas a prioridade não deve ser destruir o PT, e sim salvar o Brasil. Se isso acontecer, o PT estará praticamente destruído, pois é um “partido” que funciona como uma praga, no quanto pior, melhor.
A elegância que o PT é incapaz de demonstrar – na vitória e na derrota – deve ser a meta de Bolsonaro e seus eleitores. Precisamos elevar o padrão do nosso jogo democrático, contaminado justamente pela postura petista, que só sabe investir na divisão da população para conquistar o poder. É hora de falar a todos os brasileiros. É hora de voltar a pensar no país, no resgate de uma grande nação. Não podemos nos apequenar, aceitando sermos pautados pela própria baixaria petista. Seria nivelar o jogo por baixo.
Se alguém tenta te puxar para a lama, a tentação de descer o nível e chafurdar no mesmo terreno é grande. É justamente nesse momento que temos de demonstrar nossa superioridade, agir com a cabeça, manter a calma e o foco, e preservar nossos valores morais. O PT tenta diminuir nossa democracia? Então vamos tentar eleva-la ainda mais. Se são péssimos perdedores, sejamos bons vencedores. O Brasil agradece.
Rodrigo Constantino

domingo, 7 de julho de 2019

INTERCEPT E VEJA PUBLICAM REPORTAGEM DE CAPA QUE MOSTRA IMPROPRIEDADES EM SÉRIE


E INÉDITAS – DE SERGIO MORO NA LAVA JATO
NAS ÚLTIMAS SEMANAS, repórteres do Intercept e da Veja trabalharam em conjunto para produzir uma reportagem abrangente e minuciosa, publicada nesta sexta como matéria de capa da revista, demonstrando que o então juiz e hoje ministro Sergio Moro atuou repetidamente de forma imprópria e antiética em sua conduta como juiz.
A reportagem contém uma série de conversas inéditas entre Moro e o coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, assim como conversas entre procuradores da operação – algumas das mais incriminadoras até aqui – demonstrando que os desvios de Moro não eram eventuais, mas, nas palavras da Veja, revelam de “forma cabal como Sergio Moro exorbitava de suas funções de juiz, comandando as ações dos procuradores na Lava Jato.” Em suma, “as comunicações analisadas pela equipe são verdadeiras e a apuração mostra que o caso é ainda mais grave.”
Além da reportagem, a “Carta ao Leitor” explica não só o processo jornalístico empregado pela Veja para autenticar o material, mas também as razões pelas quais a revista – que, como admite no editorial, tratou Moro como um herói nacional várias vezes em suas capas – agora reconhece que a conduta do juiz era bastante problemática e que a condução dos processos da Lava Jato não se deu de acordo com a lei.
Os editores da Veja explicam que, após analisarem o arquivo por semanas em conjunto com os jornalistas do Intercept, a narrativa de Moro como herói nacional ou como juiz imparcial torna-se insustentável. Muito pelo contrário: “fica evidente que as ordens do então juiz eram cumpridas à risca pelo Ministério Público e que ele se comportava como parte da equipe de investigação, uma espécie de técnico do time — não como um magistrado imparcial”.
O editorial da Veja também refuta a estratégia cínica que vem sendo empregada por Moro, Dallagnol e os demais procuradores da Lava Jato de insinuar que o material publicado pode ser editado ou falso – sem nunca apontar exatamente onde estariam as adulterações. Assim como o Intercept e a Folha de S.Paulo (também parceira na Vaza Jato), os repórteres da Veja passaram semanas investigando e analisando jornalisticamente o material, e confirmaram sua autenticidade:
A reportagem desta edição é a primeira em parceria com o The Intercept Brasil. Comandados pelo redator-chefe Sergio Ruiz Luz, nossos repórteres continuam vasculhando a enorme quantidade de diálogos e áudios trocados entre procuradores e o juiz Sergio Moro. Assim como a Folha de São Paulo, também parceira do site, analisamos dezenas de mensagens trocadas entre membros do nosso time ao longo dos anos e os procuradores. Todas as comunicações são verdadeiras — palavra por palavra (o que revela fortíssimos indícios de veracidade do conjunto).
A última frase merece ser enfatizada: “Todas as comunicações são verdadeiras — palavra por palavra.”
No que talvez seja o ponto mais surpreendente da reportagem, a Veja reconhece – e parece se arrepender – de seu papel na construção da imagem de Moro como uma espécie de super-herói da ética, um mito que, como demonstra a matéria, não tem base na realidade. Acima da Carta ao Leitor – cujo título é “Sobre princípios e valores” e na qual explica as razões pelas quais está expondo a conduta imprópria de Moro–, a Veja traz imagens de cinco capas publicadas nos últimos anos, todas elogiando as virtudes de Moro, acompanhadas da legenda:
TRATADO COMO HEROI
O ex-juiz Sergio Moro foi capa de VEJA em diversas oportunidades, a maioria a favor: embora tenha sido fundamental na luta contra a corrupção, não se pode fechar os olhos antes às irregularidades cometidas.
A revista ressalta que seu apoio à luta contra a corrupção no Brasil permanece: “VEJA sempre foi — e continua — a favor da Lava-Jato”. E reconhece: “Poucos veículos de mídia celebraram tanto o trabalho do ex-juiz na luta contra a corrupção (veja capas acima)”. O que mudou foi que a revista tomou conhecimento da conduta antiética e imprópria de Moro na Lava Jato, e que é, portanto, a responsabilidade jornalística da revista revelar e expor – não esconder ou justificar – essa conduta.
Mas os diálogos que publicamos nesta edição violam o devido processo legal, pilar fundamental do Estado de Direito — que, por sinal, é mais frágil do que se presume, ainda mais na nossa jovem democracia. Jamais seremos condescendentes quando as fronteiras legais são rompidas (mesmo no combate ao crime). Caso contrário, também seríamos a favor de esquadrões da morte e justiceiros. Há quem aplauda e defenda este tipo de comportamento, reação até compreensível no cidadão comum, cansado de tantos desvios éticos. Mas como veículo de mídia responsável não podemos apoiar posturas como essa. Um dia, o justiceiro bate à sua porta e, sem direito a uma defesa justa, a pessoa é sumariamente condenada. Na Lava-Jato ou nas operações que virão no futuro, é fundamental que a batalha contra a corrupção seja feita de acordo com o que diz o regime constitucional. Esta é a defesa de todos os brasileiros contra os exageros do Estado.
Em resumo, a Veja – assim como o Intercept e a Folha – dedicou recursos editoriais expressivos à exposição das impropriedades de Moro em defesa de um princípio simples, mas fundamental: “Afinal, ninguém tem salvo conduto ou está acima da lei”.
O artigo da capa tem esse manchete: “JUSTIÇA A TODO CUSTO: Mensagens inéditas analisadas pela parceria entre VEJA e o site The Intercept Brasil mostram que ele cometeu, sim, irregularidades enquanto atuava como juiz.” Na página principal do site da Veja, o artigo traz este título: “Novos diálogos revelam que Moro orientava ilegalmente ações da Lava Jato.”
A reportagem inclui conversas inéditas e explica detalhadamente a gravidade e a recorrência das impropriedades de Moro. O texto começa recapitulando o que as matérias publicadas até agora pelo Interceptdemonstram. “(…) no papel de magistrado, Moro deixou de lado a imparcialidade e atuou ao lado da acusação. As revelações enfraqueceram a imagem de correção absoluta do atual ministro de Jair Bolsonaro e podem até anular sentenças”, diz o texto.
Entretanto, como a reportagem demonstra, a conduta imprópria e antiética de Moro vai além do que já foi publicado: não são apenas casos isolados, mas um padrão de comportamento recorrente:
Em parceria com site, VEJA realizou o mais completo mergulho já feito nesse conteúdo. Foram analisadas pela reportagem 649 551 mensagens. Palavra por palavra, as comunicações analisadas pela equipe são verdadeiras e a apuração mostra que o caso é ainda mais grave. Moro cometeu, sim, irregularidades. Fora dos autos (e dentro do Telegram), o atual ministro pediu para a acusação incluir provas nos processos que chegariam depois às suas mãos, mandou acelerar ou retardar operações e fez pressão para que determinadas delações não andassem. Além disso, revelam os diálogos, comportou-se como chefe do Ministério Público Federal, posição incompatível com a neutralidade exigida para um magistrado. Na privacidade dos chats, Moro revisou peças dos procuradores e até dava broncas neles. “O juiz deve aplicar a lei porque na Terra quem manda é a lei. A justiça só existe no céu”, diz Eros Grau, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, falando em tese sobre o papel de um magistrado. “Quando o juiz perde a imparcialidade, deixa de ser juiz.”
Em conjunto com a Veja, encontramos no arquivo uma série de exemplos do então juiz Moro atuando exatamente da forma que por anos negou agir (e que voltou a negar nas audiências no Congresso e no Senado): não apenas colaborando, mas dirigindo as ações do Ministério Público num caso que ele depois viria a julgar.

Em um exemplo bastante ilustrativo, a reportagem pergunta retoricamente: “Não seria um escândalo se um magistrado atuasse nas sombras alertando um advogado que uma prova importante para a defesa de seu cliente havia ficado de fora dos autos?” O texto então mostra como Moro fez exatamente isso:
Pois isso aconteceu na Lava-Jato, só que a favor da acusação. Uma conversa de 28 de abril de 2016 mostra que Moro orientou os procuradores a tornar mais robusta uma peça. 
No diálogo, Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa em Curitiba, informa a procuradora Laura Tessler que Moro o havia avisado sobre a falta de uma informação na denúncia de um réu — Zwi Skornicki, representante da Keppel Fels, estaleiro que tinha contratos com a Petrobras para a construção de plataformas de petróleo, e um dos principais operadores de propina no esquema de corrupção da Petrobras. Skornicki tornou-se delator na Lava-Jato, e confessou que pagou propinas a vários funcionários da estatal, entre eles, Eduardo Musa, mencionado por Deltan na conversa. “Laura no caso do Zwi, Moro disse que tem um depósito em favor do Musa e se for por lapso que não foi incluído ele disse que vai receber amanhã e dá tempo. Só é bom avisar ele”, diz. “Ih, vou ver”, responde a procuradora. No dia seguinte, o MPF incluiu um comprovante de depósito de 80 000 dólares feito por Skornicki a Musa. 
Moro então publica sua sentença e recebe o aditamento com a informação sobre o depósito depois disso. Ou seja: ele claramente ajudou um dos lados do processo a fortalecer sua posição.
O que esse texto traz de novo – e de crucial – não é só a prova que Moro mentiu repetidamente para a população e para o Congresso ao defender sua atuação na Lava Jato. Fica provado também que ele contaminou suas decisões na operação ao abandonar seu papel neutro de juiz e assumir a função de promotor, acusando os mesmos réus cujos direitos ele, como juiz, tinha o papel de garantir. Como a procuradora do MPF Monique Cheker eloquentemente disse nas conversas que o Intercept revelou na última sexta-feira: “Moro viola sempre o sistema acusatório e é tolerado por seus resultados”.
Como nosso texto em parceria com a Veja explica: “Na terça, 2, Moro (que, por sinal, não faz mais parte da Lava-Jato) ficou sete horas no Congresso respondendo a parlamentares sobre o caso. Repetiu o que tem dito nas últimas semanas: os diálogos divulgados foram frutos de um roubo, podem ter sido editados e, mesmo verdadeiros, não apontam qualquer tipo de desvio. A cada nova revelação, fica mais difícil sustentar esse discurso.”
Num dos exemplos que mostram que, sim, houve desvio na Lava Jato, Moro e Dallagnol mostram intimidade na troca de informações – um comportamento que a nossa reportagem classificou como sinal do “nível elevado (e indesejável) da promiscuidade entre os dois. E que pode levar a suspeição de Moro. No episódio, Dallagnol não vê problemas em enviar ao juiz exemplos de decisões de outros magistrados para quando ele “precisar prender alguém” ao responder sobre o pedido de revogação da prisão preventiva do amigo de Lula, José Carlos Bumlai, em dezembro de 2015.
Essa matéria demonstra, portanto – de forma minuciosa e definitiva – que o verdadeiro chefe da acusação na operação Lava Jato era a mesma pessoa que deveria ser o juiz neutro que julgaria o processo: Sergio Moro. A conduta de Moro é perigosa porque viola não só os direitos dos réus nesse caso, mas abre um precedente que põe em risco todos os futuros réus que serão julgados num sistema judicial que parece ignorar o mais básico dos princípios: a neutralidade e imparcialidade do juiz.
Nós iniciamos nossa série de reportagens explicando os motivos (leia aqui e entenda) pelos quais acreditamos que esse jornalismo é crucial para a democracia brasileira: “Tendo em vista o imenso poder dos envolvidos e o grau de sigilo com que eles operam – até agora –, a transparência é crucial para que o Brasil tenha um entendimento claro do que eles realmente fizeram. A liberdade de imprensa existe para jogar luz sobre aquilo que as figuras mais poderosas de nossa sociedade fazem às sombras.”
Obedecer esse princípio – dar transparência aos atos corruptos de oficiais poderosos – continua sendo o objetivo principal das matérias que publicamos. A nova reportagem em parceria com a Veja é mais um passo nesse sentido porque – no que tange ao comportamento antiético de Moro – demonstra o quão frequentes, inconsequentes e corriqueiras as impropriedades de Moro eram.
(Site The Intercept_)

DALLAGNOL: “AHA UHU, O FACHIN É NOSSO”

Em um dos diálogos divulgados, hoje, pela revista Veja em parceria com o site The Intercept Brasil, o procurador Deltan Dallagnol, chefe do a Operação Lava Jato em Curitiba, aparece comemorando, em conversa com membros da força-tarefa, após um encontro com o ministro do STF Edson Fachin.
“Caros, conversei 45m com o Fachin. Aha uhu o Fachin é nosso”. A reportagem não traz detalhes do contexto em que o comentário foi feito nem respostas dos colegas de Dallagnol no grupo do Telegram. Procurado pela Veja, Dalla­gnol não quis receber a reportagem, informa a publicação. O nome do ministro é o segundo assunto mais comentado no Twitter na manhã de hoje, atrás, apenas da hashtag #MoroSuaCasaCaiu.

O Ceará é o terceiro estado com a maior concentração de bilionários do país.

O Ceará e seu seleto Clube do Bilhão, estado tem 15 bilionários

O Ceará é o terceiro do País com a maior concentração de bilionários. São 15 nomes, segundo a edição da Revista Forbes com dados colhidos em 2018.
Esse aí da foto acima não é Queiroz, nem Macedo e muito menos Jereissati. É Cândido Pinheiro, dono do Grupo HAP Vida, o maior bilionário cearense, com fortuna de R$: 7,6 bi.

Consuelo Dias Branco, viúva de Ivens Dias Branco ocupa o segundo lugar do clube do bilhão local, com R$: 5,76 bi de fortuna acumulada.
O terceiro colocado é Mário Araripe, dono da gigante de energia, Casa dos Ventos. Tem R$: 5,5 bi.

O quarto e o quinto colocados, Cândido Júnior e Jorge Lima (filhos do dono do HAP Vida) tem nada menos que R$: 3,8 bilhões cada um.

Amaurílio Macedo, herdeiro do Grupo J. Macedo é o sexto bilionário da lista cearense: R$: 3,5 bi. O sétimo é Deusmar Queirós, das farmácias Pague Menos, e com fortuna de R$: 3,2 bilhões.

O oitavo colocado é Carlos Jereissati, irmão do Senador Tasso. O dono da La Fonte e do Iguatemi tem fortuna de R$: 2,2 bi. O nono, Everardo Telles, ex-dono da cachaça Ypioca tem R$: 1,25 bi.

Do décimo até o décimo quinto colocado, vêm os bilionários cearenses “mais pobres”, gente que tem de R$: 1 bi prá lá. Ivens Júnior, Maria Regina, Cláudio, Marcos, e Maria das Graças, da família Dias Branco, cada um tem R$ 1,15 bilhão.

RANKING NACIONAL
Jorge Paulo Lemann (Ambev e outras) deixou o posto de maior bilionário do país. Ele tem U$$: 22,4 bi, mas perde para Joseph Safra, dono do Banco Safra que detém U$$: 25,5 bi.

Não confunda bilhão com milhão. Só os realmente muito ricos detém patrimônio de bilhões. É um grupo seleto de gente bastante poderosa.

RAPADURA COM FARINHA
Com 15 bilionários no ranking nacional, o  Ceará é um dos estados que mais concentra renda na mão de poucos, reflexo claríssimo de sua perene desigualdade.

Só São Paulo (72) e Rio de Janeiro (25) tem mais bilionários que o Ceará. Estamos a frente de Minas (14); RS (13); e Pernambuco ( (7).
Na soma das fortunas, o Ceará é o quarto colocado (R$: 43 bi). RJ; SP e RS lideram ao somar o dinheiro de seus bilionários.

Se o estado cearense sofre por um lado com o desequilíbrio social eterno, por outro é lugar de gente sabida pra empilhar dinheiro…
Imagem relacionada


Por Claudio Teran, via Facebook

Cadastro biométrico passa a ser obrigatório para concessão de benefícios do INSS

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) informou que vai ampliar a exigência de cadastro biométrico para a concessão de benefícios prev...