A Cooperativa de Atendimento Pré e
Hospitalar (COAPH), no Ceará, está no centro de uma investigação da Polícia
Federal que apura suspeitas de desvios de recursos públicos destinados à saúde no valor que chega a 1 bilhão de reais.
Enquanto o caso ganha repercussão nos
veículos de comunicação, o Sindsaúde Ceará ressalta, que as denúncias sobre a
atuação de falsas cooperativas e a precarização das relações de trabalho na
saúde não são recentes. Há anos, a entidade denuncia um modelo de contratação
que, segundo o sindicato, encobre relações de emprego e priva trabalhadores de
direitos trabalhistas.
A atuação do sindicato ocorre nas
esferas jurídica, política e administrativa, com denúncias aos órgãos de
fiscalização e ações judiciais em defesa dos profissionais.
Fruto de uma denúncia do Sindsaúde, o
Ministério Público do Trabalho (MPT) ingressou com ação na Justiça pedindo o
reconhecimento do vínculo empregatício dos trabalhadores e a extinção da COAPH
por fraude na contratação de mão de obra. O processo sob o nº
0001111-27.2018.5.07.0015 se encontra suspenso no momento, até que o Supremo
Tribunal Federal (STF) julgue sobre a pejotização.
Em março de 2023, a entidade já havia
ajuizado ação buscando o reconhecimento do vínculo empregatício de
trabalhadores de nível médio contratados pela COAPH para atuar no Hospital
Regional de Iguatu. Em julho de 2025, também protocolou denúncia no Ministério
Público do Trabalho sobre a atuação da cooperativa nas unidades de saúde de
Fortaleza.
Denúncia chegou à
OIT
A luta do Sindsaúde ultrapassou as
fronteiras do Ceará. Em agosto de 2025, a entidade encaminhou denúncias à
Organização Internacional do Trabalho (OIT), em Genebra, na Suíça, questionando
a precarização dos vínculos de trabalho na saúde pública. Segundo informações
divulgadas pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a
denúncia foi aceita em janeiro de 2026 para análise no âmbito da organização
internacional.
O sindicato aponta que trabalhadores
contratados por cooperativas cumprem escalas, recebem ordens de chefias e estão
submetidos a relações de subordinação, embora nem sempre tenham reconhecido o
vínculo empregatício. Para a entidade, essas situações precisam ser
investigadas e, quando presentes os requisitos legais, devem resultar no
reconhecimento dos direitos trabalhistas correspondentes.
Para o Sindsaúde, a investigação da
Polícia Federal reforça a necessidade de transparência na aplicação dos
recursos públicos e de fiscalização rigorosa dos contratos da saúde. A entidade
enfatiza, porém, que o debate também precisa alcançar as condições de trabalho
dos profissionais que garantem o funcionamento dos serviços públicos.
“Enquanto agora o caso ganha espaço
nos veículos de comunicação, nós já vínhamos denunciando há anos a precarização
provocada pelas falsas cooperativas. Levamos essa luta à Justiça, ao Ministério
Público e à Organização Internacional do Trabalho. Nossa luta é pelo
reconhecimento do vínculo empregatício quando a relação de trabalho assim exigir,
pela garantia de direitos e pela responsabilidade na aplicação do dinheiro
público”, defende o presidente do Sindsaúde Ceará, Quintino Neto.
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